sábado, 31 de julho de 2010

Criança de sonhos.

Eu via você correr todos os dias. Correr, correr e correr, aparentemente sem nenhum motivo. Você corria para alcançar algo muito, muito maior. Algo que meus olhos cansados e céticos não conseguiam, e, talvez, ainda não consigam, enxergar. Você corria com os braçinhos magros, com feridas de uma possível queda e sujos de poeira em direção ao céu, balançando-os de um lado ao outro da cabeça, correndo como se isso fosse o que te mantivesse vivo. Suas perninhas finas que toda criança têm fazendo um esforço absurdo para subir, pular, correr; pequenos raladinhos por sua extensão e aquela sensação boa que eu sentia assim que eu o via. Uma sensação boa de um banho frio num dia absurdamente quente, ou uma taça de sorvete bem grande com cobertura colorida e castanha ao redor. A despreocupação em sua face; face de criança que não tem muito a se preocupar, uma face que não vemos em nenhum adulto. E um sorriso. Um único sorriso.
Será você mais uma criança que virará um adulto sem sonhos e sem esperanças em um mundo caótico?
Ou será você uma pessoa que jamais desistiu de seus sonhos e apesar de ter nascido e crescido em um mundo baseado em mentiras, tentará muda-lo (Assim espero)?

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